quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Bloqueio diplomático reforça opção militar da oposição na Síria

O bloqueio diplomático após os vetos russo e chinês na ONU de uma condenação à repressão na Síria abre a porta para a militarização do movimento de contestação e vozes internas e estrangeiras que pedem o armamento da oposição se multiplicam, segundo analistas.
"As soluções diplomáticas para a crise síria se esgotaram e as opções militares são seriamente consideradas atualmente", ressalta Shadi Hamid, diretor de pesquisas do Brookings Doha Center.
"Existem hoje discussões sobre zonas de segurança, zonas de amortecimento e corredores humanitários", explicou lembrando que "é isto o que a oposição síria pede".
A visita na terça-feira a Damasco do ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov, não trouxe progressos tangíveis para resolver a crise na Síria, onde, em 11 meses de violência, 6 mil pessoas morreram, de acordo com os militantes.
Dessa forma, as forças governamentais sírias prosseguem com suas operações de grande escala nas regiões rebeldes, principalmente em Homs (centro), maior reduto de contestação.
O veto ao Conselho de Segurança é "o melhor caminho para mobilizar o Exército Sírio Livre (ESL, força armada da oposição liderada por um coronel desertor) que viu sua posição reforçada", acredita Hamid.
"Muitos sírios dizem que 'tentaram se manifestar pacificamente e isso não deu resultado' e que eles precisam 'se defender diante da violência do regime'", explicou.
Mas, o bloqueio na ONU não impede um apoio externo à oposição síria, acredita Hilal Khashan, professor de Ciências Políticas na Universidade Americana de Beirute (AUB).
Sem passar pelo Conselho de Segurança, "o ocidente dispõem de muitas opções para enfraquecer o regime, principalmente apoiando a ASL e impondo sanções econômicas".
"A transição política não será pacífica, ela vai acontecer por meio de uma revolta violenta", estima o cientista político Imad Salameh.
"O que pode ser feito no plano internacional para fazer com que este processo aconteça rapidamente", acrescenta o professor da AUB, é "um bloqueio econômico, político e militar" do regime.
Depois do veto, o Conselho Nacional Sírio (CNS) e o ESL pediram que os empresários sírios e de outros países árabes "participem de maneira direta e eficaz no financiamento legítimo das operações de autodefesa e proteção das zonas civis realizadas pelo ESL".
O CNS é a principal formação de oposição, enquanto o ESL reivindica cerca de 40 mil combatentes e realiza operações contra as forças do regime sírio.
Em Washington, o senador republicano John McCain pediu que seja considerada a possibilidade de armar a oposição síria.
Mas o ESL precisará de muito mais para derrubar o regime, acredita Shadi Hamid: "É preciso que isso seja acompanhado de medidas suplementares, como um apoio aéreo ou outro meio de intervenção militar fora do quadro do Conselho de Segurança, como fizeram no caso da intervenção da Otan no Kosovo", em 1999.
A repressão pode nos próximos dias se intensificar, dizem os analistas. "A questão síria ainda não chegou ao ponto mais extremo, a violência vai aumentar assim como o número de mortos, mas tudo será decidido neste ano, e não durante anos como algumas pessoas pensam", assegura Hilal Khashan.
Para Imad Salamah, "a instituição militar é o que resta do regime. Eu acredito que a pressão popular na Síria e a pressão internacional vão provocar o afundamento desta instituição".

Presidente afegão acusa Otan de matar 8 crianças em bombardeio

O presidente afegão, Hamid Karzai, acusou a Otan de ter matado oito crianças em um bombardeio na província de Kapisa, a nordeste de Cabul, em um comunicado divulgado nesta quinta-feira pelo gabinete presidencial.
Segundo "o governador provincial, oito crianças morreram como resultado de um ataque aéreo realizado no dia 8 de fevereiro na localidade de Geyawa, no distrito de Nejrab da província de Kapisa", indicou o comunicado.
Consultado pela AFP, um porta-voz da Isaf, a força internacional da Otan, confirmou o incidente, mas, até o momento, disse não ter informações sobre vítimas.
O presidente afegão, que mantém uma relação tensa com seus aliados ocidentais, condena regularmente a Otan pelas mortes de civis na guerra de uma década contra os insurgentes talibãs.
As mortes de civis atingiram um recorde no Afeganistão em 2011 - o quinto ano consecutivo em que este número subiu, informou as Nações Unidas na última semana. No total, 3.021 civis morreram - a maior parte deles pelas mãos dos insurgentes - 8% a mais em relação a 2010, quando 2.790 faleceram, informou a Missão da ONU no Afeganistão (UNAMA) em seu relatório anual.

Rio: após confusão, secretaria garante mais 30 trens até setembro

A Secretaria Estadual de Transportes do Rio de Janeiro informou nesta quinta-feira que os 30 novos trens chineses comprados pelo governo fluminense começarão a operar até setembro deste ano. A informação foi divulgada por meio de nota, depois que o defeito em uma composição na manhã de hoje provocou tumulto e confronto entre passageiros e policiais.
Segundo o governo do Estado, estão sendo investidos R$ 2,4 bilhões na compra de 120 trens, na reforma de 73 e na melhoria das 98 estações ferroviárias. De acordo com a secretaria, já foi aberta a licitação para a compra de mais 60 composições.
Sobre a manifestação de passageiros hoje, a secretaria informou que "repudia todo e qualquer ato de depredação de patrimônio público, o que impede um melhor serviço à população do Rio de Janeiro". Entre os passageiros que circularam pelas estações hoje, muitos criticavam a qualidade do serviço dos trens urbanos fluminenses.
Na confusão desta manhã, usuários entraram em confronto com a polícia, que interveio com bombas de efeito moral. Manifestantes teriam atirado paus e pedras tentando agredir o maquinista do trem que parou. Quando a composição voltou a funcionar, muitas pessoas se aglomeraram na parte de fora do trem.